Biologia Celular e Molecular - IOC

Programa de pós-graduação stricto sensu em biologia celular e molecular

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19/12/2016

Pelo terceiro ano consecutivo, IOC tem estudo destacado no Prêmio de Incentivo em Ciência e Tecnologia para o SUS


Com foco no vírus influenza A (H1N1) pandêmico, causador da pandemia de gripe de 2009, a tese da bióloga Paola Cristina Resende foi destacada com menção honrosa na edição 2016 do Prêmio de Incentivo em Ciência e Tecnologia para o SUS, do Ministério da Saúde. Desenvolvido no Programa de Pós-graduação em Biologia Celular e Molecular do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), o estudo foi orientado pela pesquisadora Marilda Siqueira, chefe do Laboratório de Vírus Respiratório e do Sarampo, que atua como referência nacional em influenza para o Ministério da Saúde e para a Organização Mundial de Saúde (OMS). A pesquisa abordou a análise evolutiva dos vírus H1N1 desde sua introdução no país em 2009 até 2014, comparando as variações genéticas encontradas com a cepa vacinal, além de verificar mutações associadas à virulência e à resistência ao antiviral oseltamivir. O trabalho foi um dos seis finalistas entre 89 inscritos na categoria ‘Doutorado’ da premiação, que teve o resultado divulgado na última terça-feira, 13, durante cerimônia realizada em Brasília.

“Esse é um reconhecimento importante para o nosso trabalho, principalmente por se tratar de uma premiação que tem o objetivo de expandir a aplicação da produção científica em benefício da saúde pública. Alguns resultados da pesquisa já tiveram impacto na elaboração de protocolos que passaram a ser aplicados na vigilância da influenza e espero que a visibilidade trazida pela menção honrosa amplie ainda mais esse alcance”, comemora Paola, que é pesquisadora do Laboratório de Vírus Respiratório e do Sarampo.

 

Paola Resende foi reconhecida pela tese 'Dinâmica molecular dos vírus Influenza A (H1N1) pandêmico em cinco anos de circulação no Brasil'

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Este foi o terceiro ano consecutivo em que estudos desenvolvidos no IOC foram reconhecidos na premiação. Em 2015, uma tese defendida no Programa de Biologia Celular e Molecular e um artigo com participação de pesquisadores do Instituto receberam menções honrosas. Em 2014, uma tese elaborada na Pós-graduação em Medicina Tropical foi vencedora da categoria doutorado. A mesma edição concedeu menção honrosa a um artigo liderado por cientistas do IOC.

Avanços para a vigilância
A investigação mapeou as transformações no genoma dos vírus influenza H1N1 durante os cinco primeiros anos de circulação no Brasil. A análise filogenética identificou nove grupos virais, com substituições ao longo do tempo e ocorrências ocasionais de estratificações geográficas. Segundo Paola, a pesquisa evidenciou acúmulo de mutações que poderiam impactar na eficácia da vacina para a gripe. “É por esse motivo que existe uma vigilância constante dos vírus em circulação e as cepas vacinais são atualizadas anualmente”, explica.

A segunda etapa do trabalho contemplou a busca de marcadores genéticos que poderiam indicar maior gravidade da infecção. Relacionando os achados moleculares com dados clínicos e epidemiológicos, o estudo identificou que uma alteração em uma região determinada do gene que orienta a produção da proteína hemaglutinina – molécula que participa do processo de ligação dos vírus influenza às células hospedeiras – tinha forte associação com quadros graves de infecção e com casos fatais, especialmente em gestantes.

Os primeiros casos de resistência dos vírus H1N1 ao antiviral oseltamivir no Brasil foram detectados durante a pesquisa. O sequenciamento do gene que orienta a produção da enzima viral neuraminidase – molécula que está no alvo da ação inibidora do antiviral oseltamivir – indicou a presença de duas mutações que são conhecidas por reduzir a sensibilidade dos patógenos ao fármaco. Uma vez que algumas das amostras resistentes foram relacionadas a pacientes que não tinham sido tratados com oseltamivir, o estudo indica que essas linhagens podem estar se disseminando de forma sustentada no país. Paola ressalta que o percentual de vírus resistentes encontrado no Brasil está dentro dos parâmetros internacionais, que varia entre 1% e 2%. “O oseltamivir é um dos únicos antivirais disponíveis atualmente para tratamento dos casos graves de influenza no país. Por isso, a vigilância da resistência é muito importante”, afirma ela.

Sobre o prêmio
A edição 2016 marcou os 15 anos do Prêmio de Incentivo em Ciência e Tecnologia para o SUS. Promovida pelo Ministério da Saúde, a iniciativa tem como objetivo valorizar pesquisas com contribuições para o desenvolvimento das políticas públicas de saúde no país. A seleção dos vencedores é realizada em duas etapas, incluindo a avaliação de especialistas ad hoc e da comissão julgadora. Entre os critérios para a premiação estão a possibilidade de aplicação dos resultados, o potencial de inovação, a contribuição para os princípios e diretrizes do SUS, a consonância com a Política Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde e o mérito técnico-científico. A premiação é dividida em quatro categorias: Especialização, Mestrado, Doutorado e Trabalho Científico Publicado. Em cada categoria, são selecionados um vencedor e até cinco ganhadores de menções honrosas.

 

Reportagem: Maíra Menezes
Edição: Vinícius Ferreira
Permitida a reprodução sem fins lucrativos do texto desde que citada a fonte (Comunicação / Instituto Oswaldo Cruz)

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